O feminismo e o modo de se vestir das francesas

Amo iniciar um texto e diálogo com perguntas… A Reflexão é um caminho profundo e repleto de sapiência. Como falar de Moda, sem falar de comportamento? Quase impossível na minha opinião. Esses dois universos, são  inseparáveis ao meu ver. E o feminismo no modo de vestir das francesas, também é algo integrado na cultura.

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Foto : site L’OFFICIEL

Eu habito na França depois de primeiro de maio de 2017, em Lyon especificamente. A minha paixão pela Moda começou por volta dos três anos de idade, quando minha mãe relata que eu já contestava sobre as roupas que ela escolhia e queria que eu as vestisse. Percebe-se que eu e minha mãe somos pessoas bem diferentes no modo de vestir e  pensar sobre Moda. Ela totalmente minimalista e eu talvez fosse um pouco mais glamurosa e ou talvez mais exagerada. 

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Foto : Vogue.fr

Nesses quase quatro anos de vida na França percebo que estou caminhando para uma leveza no modo de viver, sentir, amar e claro vestir e se comportar. A França tem um movimento feminista que perdura anos de luta. Que orgulho dessas mulheres que constestam até  hoje seus direitos, e tentam da melhor forma exercer seus deveres também. Sim, a vida é feita de ganhos e perdas; direitos e deveres. Risos. Com o movimento feminista, percebe-se uma alteração no comportamento das mulheres francesas. Uma evolução com mais leveza e elegância. 

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Foto : Vogue.fr

Acredito que a palavra elegância deve-se originar de autenticidade e isso as francesas possuem com sobra… Elas sempre pensam primeiramente, isso é confortável ? Me faz bem? Estou me sentindo bem? E saudável pra mim? Se não,  naãooOoo usarei. Simples assim… Elas se priorizam em primeiro lugar e isso é lindo de viver e sentir. Isso é o reflexo do feminismo das francesas integrado no dia-à-dia. Aprendo diariamente com elas…

Compartilho com vocês parte de um artigo muito interessante sobre esta questão:

A moda e a liberação da mulher na história – feminismo histórico

Chanel e seus desfiles são exemplos de feminismo na moda. É importante saber que a marca e seu designer deixaram sua marca no mundo da moda ao libertar as mulheres de certos códigos. A partir de 1910, Coco Chanel passou a usar materiais como tweed ou jersey, antes reservados aos homens. Também passou a criar modelos inicialmente reservados aos homens, como o suéter listrado. Então foi nessa época que ela começou a democratizar o uso de calças femininas. Isso as livrou da restrição de usar saias e vestidos. O objetivo não era imitar ou disfarçar as mulheres como homens. Tratava-se de se apropriar de peças do vestiário e adaptá-las às mulheres.

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As calças de Chanel – Foto : la-garconne.eklablog.com

Mas Chanel não é a única Maison de moda a liberar as mulheres, dando-lhes a liberdade de brincar com códigos. Este também é o caso da Saint Laurent, que criou o smoking feminino. Podemos destacar também a ousadia da minissaia de Courrèges e a moda andrógina de Jean-Paul Gaultier. Este último, confunde as fronteiras entre os gêneros e permite que todas as mulheres encontrem seu estilo. Todos estes desenvolvimentos permitiram às mulheres realçar a sua personalidade e reivindicar uma forma de expressão … Para elas e não para agradar aos homens. Esta foi a grande influência do feminismo na moda.

Artigo traduzido do site : Strasbourg Fashion (original AQUI)

E hoje? Conheça algumas marcas engajadas com o tema neste artigo.

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Foto @carol_ananas no Instagram.

Qual a ligação de Lyon com a moda francesa? Além de ter sido durante décadas a capital da seda, e onde fabrica-se até hoje as peças de seda de grandes marcas. (isso é assunto para um outro artigo!), Lyon possui hoje o maior acervo de tecidos da Europa, no Musée des Tissus. Muitos estilistas de grandes marcas visitam a biblioteca do museu para pesquisas, durante a criação de suas coleções. Veja a página do Museu AQUI.

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Museu dos Tecidos e artes decorativas de Lyon – Foto : Le Petit Paumé

E como Moda e compras não andam muito separadas, veja nossas dicas de compras em Lyon.

2 Responses
  • Leandro
    fevereiro 28, 2021

    Excelente texto… Abordar o feminismo e a moda frente aos dispositivos acompanhado pelo comportamento humano é dar um salto entre o passado e o presente. A moda, desde o seu surgimento, é considerada um mecanismo social, onde o modo de se vestir, principalmente no universo feminino, tem o poder de revelar as diversas faces existentes em uma mulher. Faces carregas de nuances marcadas por uma cultura arraigada de lutas, cicatrizes e conquistas . Essa cultura está fortemente interligada ao “comportamento”, até mesmo porque cultura e comportamento são dois termos que caminham lado a lado. Quando fazemos uma reflexão com o modo de se vestir marcado por uma cultura, nos faz pensar na importância da moda na liberação ou libertação da mulher na história, na busca da construção da sua autoimagem e da sua identidade feminina carregada de valores pessoais.
    Parabenizo aqui a autora pelo magnífico artigo elaborado.

  • Leandro
    fevereiro 28, 2021

    Leandro
    fevereiro 28, 2021
    Excelente texto… Abordar o feminismo e a moda frente aos dispositivos acompanhado pelo comportamento humano é dar um salto entre o passado e o presente. A moda, desde o seu surgimento, é considerada um mecanismo social, onde o modo de se vestir, principalmente no universo feminino, tem o poder de revelar as diversas faces existentes em uma mulher. Faces carregas de nuances marcadas por uma cultura arraigada de lutas, cicatrizes e conquistas . Essa cultura está fortemente interligada ao “comportamento”, até mesmo porque cultura e comportamento são dois termos que caminham lado a lado. Quando fazemos uma reflexão com o modo de se vestir marcado por uma cultura, nos faz pensar na importância da moda na liberação ou libertação da mulher na história, na busca da construção da sua autoimagem e da sua identidade feminina carregada de valores pessoais.
    Parabenizo aqui a autora pelo magnífico artigo elaborado.

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