De Lugdunum até Lyon, festas e panquecas.

La Chandeleur, uma história de luz, de panquecas e muitas outras 
coisas mais que um dia lhes contarei!

As festas “gourmandes” nunca param em Lyon. No Natal comemos a 
Bûche, maravilhosa quando é feita com chocolate e crème de marron, logo 
depois a galette des rois, uma delícia para comemorar os reis magos, e 
no dia 2 de fevereiro, festa da Chandeleur : CREPE, ou panqueca.
Que faço com um euro na mão para ser rica o ano todo!
Nunca fui… mas não desisto!!!

Nos tempos dos Romanos (e não se esqueça : minha querida Lyon foi 
capital gallo-romaine!!!) se comemorava o dia de Pan, o deus da natureza, 
conhecido graças a sua flauta, que protegia os pastores e os rebanhos 
com desfile nas ruas de Roma com uma tocha na mão: a famosa festa des 
velas (chandelle em francês, candelária em latim ==== chandeleur).


Depois o papa Gélase primeiro atualizou esta festa romana mas ele a 
cristianizou para que ela comemorasse a apresentação de Jesús no Templo 
de Jerusalem e também o fim do ciclo de Natal. Hoje ela voltou a ser uma 
festa pagã : Fazemos “sauter les crêpes”! E tenho que reconhecer que não 
é só em Lyon, cidade romana, senão na França toda.
De acordo com a superstição, na festa da Chandeleur, é absolutamente 
necessário fazer a primeira crepe na frigideira com a mão direita, e na 
mão esquerda uma moeda de ouro. Esta tradição traria felicidade e 
prosperidade para toda a família.


Mas, por que crêpes na Chandeleur?
Três teorias se destacam : a mais esotérica diz que a forma redonda da 
crepe é a mesma do sol, para evocar o fim do inverno e o começo da 
primavera ; a mais religiosa sugere que o papa Gélase teria oferecido 
aos peregrinos chegando em Roma uma panqueca ; a teoria mais popular 
promete boas colheitas de trigo para quem tiver preparado crepes na 
Chandeleur (« Si point ne veut de blé charbonneux, mange des crêpes à la 
Chandeleur »).

E os Romanos marcaram-nos com suas festas várias vezes por ano! Mas a 
festa mais linda de minha cidade é a FESTA DAS LUZES no 8 de dezembro, e 
terei um grande prazer em lhe contar esta historia outro dia. A tradição 
Lyonnaise esconde suas raizes nas bases da humanidade que sempre 
considerou o fogo como o símbolo de reunião mas também de vitória sobre 
o firo e a noite. E queiram ou não os Lyonnais, as iluminações 
lyonnaises são milênios!


Praticadas pelos Egípcios, os Gregos e os Romanos, as iluminações foram 
no começo o alvo do ódio dos primeiros Cristãos pois nelas eles viam 
paganismo e desvio ; mas finalmente eles as usaram para facilitar a 
transição entre os antigos cultos e o deles.
Durante a Antiguidade as iluminações marcavam as festas e acontecimentos 
gloriosos. Os habitantes das cidades colocavam velas nas janelas para 
comemorar tudo o que eles achavam bom comemorar. Depois os Gauleses 
faziam fogueiras grandes para comemorar seus deuses na festa Beltaine no 
primeiro de maio : os deuses Belenos, Belisama e Lug.

Sentada nas velhas pedras romanas do Teatro Lugdunum que tem mais de 
2000 anos eu te espero com uma crepe na mão e uma velinha na outra para 
te mostrar os mistérios de minha cidade. São muitíssimos e eu ADORO 
contar… e comer…

Que tal uma receita de crepes franceses? AQUI.

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